A avaliação de risco cirúrgico em pediatria, especialmente em crianças com cardiopatias congênitas ou adquiridas, é uma etapa essencial para garantir a segurança perioperatória.
O documento de risco cirúrgico emitido pelo cardiologista pediátrico oferece uma visão abrangente do estado cardiovascular da criança, orientando a equipe cirúrgica e anestésica sobre as condutas mais seguras durante o procedimento.
O que é o risco cirúrgico em crianças com cardiopatias
O risco cirúrgico pediátrico é um parecer elaborado a partir da avaliação clínica e funcional da criança antes de um procedimento cirúrgico eletivo ou de urgência.
Seu principal objetivo é identificar condições cardiovasculares que possam comprometer a segurança do procedimento anestésico-cirúrgico.
Em crianças com cardiopatias congênitas ou adquiridas, essa análise é ainda mais crítica.
Muitas vezes, essas crianças apresentam alterações hemodinâmicas, arritmias, hipertensão pulmonar ou sequelas de cirurgias cardíacas anteriores que aumentam o risco de complicações durante a anestesia ou no pós-operatório imediato.
Fatores considerados na elaboração do risco cirúrgico
Ao elaborar o parecer de risco cirúrgico, o cardiologista pediátrico considera uma série de elementos que influenciam diretamente a segurança da criança durante o procedimento.
Entre eles:
- Presença e tipo de cardiopatia (congênita ou adquirida)
- Estado funcional e hemodinâmico da criança
- Dados do exame físico e sintomas clínicos
- Tipo de procedimento cirúrgico proposto
- Urgência da cirurgia
- Comorbidades clínicas associadas (síndromes genéticas, doenças respiratórias, disfunção renal, entre outras)
- Histórico de cirurgias cardíacas prévias
- Uso atual de medicamentos cardiovasculares
Além disso, em muitos casos, a classificação do estado físico pela American Society of Anesthesiologists (ASA) pode ser usada como um complemento, embora não substitua a avaliação detalhada e individualizada do cardiologista pediátrico.

Avaliação pré-operatória: exames e critérios utilizados
A necessidade de exames complementares deve ser individualizada.
Nem toda criança precisa realizar exames antes de uma cirurgia. A decisão deve sempre partir de uma anamnese detalhada e de um exame físico minucioso, realizados por um profissional experiente.
Quando indicados, os exames mais comumente solicitados incluem:
- Ecocardiograma transtorácico
- Eletrocardiograma (ECG)
- Exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, função renal)
- Radiografia de tórax
- Oximetria de pulso
- Teste ergométrico ou teste cardiopulmonar de exercício (em casos selecionados)
A decisão pela liberação ou pela necessidade de intervenções prévias depende de achados clínicos e ecocardiográficos, como fração de ejeção, pressão pulmonar, presença de shunts significativos, entre outros.

Importância da equipe multidisciplinar na avaliação do risco
A avaliação do risco cirúrgico em crianças deve ser feita em conjunto com a equipe multidisciplinar, incluindo cardiologista pediátrico, anestesista, cirurgião, pediatra geral e, quando necessário, intensivista.
Esse trabalho conjunto permite planejar a melhor abordagem anestésica, otimizar a condição clínica da criança antes do procedimento, prever eventuais complicações e estruturar o pós-operatório de forma mais segura.
Como os pais podem se preparar para a cirurgia do filho
Os pais devem estar bem informados sobre a condição cardíaca da criança e as particularidades da cirurgia.
Alguns pontos importantes incluem:
- Levar todos os exames recentes à consulta de risco cirúrgico
- Informar sobre uso de medicamentos
- Seguir orientações de jejum, internação e preparo pré-operatório
- Esclarecer todas as dúvidas com o cardiologista e com a equipe cirúrgica
O acolhimento da família também faz parte do processo: entender os riscos, os benefícios e o plano terapêutico aumenta a segurança emocional dos pais e contribui para um desfecho mais positivo.
Perguntas frequentes sobre risco cirúrgico em cardiopediatria
Quem deve realizar o risco cirúrgico em crianças?
Sempre que houver qualquer suspeita ou confirmação de cardiopatia, o risco cirúrgico deve ser avaliado por um cardiologista pediátrico, profissional especializado em interpretar os dados clínicos e exames específicos no contexto da idade e das peculiaridades do coração infantil.
Crianças sem comorbidades cardíacas também podem ser avaliadas por pediatras experientes ou, idealmente, por cardiopediatras para maior segurança.
Quais exames são necessários para avaliar o risco cirúrgico infantil?
Nem sempre são necessários. A indicação depende de uma avaliação clínica criteriosa. Quando indicados, geralmente incluem:
- Ecocardiograma
- ECG
- Exames laboratoriais
- Radiografia de tórax
Testes complementares são indicados conforme o caso clínico.
Segundo as diretrizes mais recentes, inclusive da American Heart Association e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é importante destacar que em muitos casos, especialmente em procedimentos de menor porte e em crianças sem sintomas ou achados clínicos relevantes, nenhum exame complementar pode ser necessário.
O mais importante é compreender a individualidade de cada paciente, realizar uma anamnese e exame físico completos e contextualizar o risco dentro da realidade clínica da criança.
O excesso de exames, quando desnecessários, pode gerar estresse, custos e atrasos no cuidado.
O que pode aumentar o risco cirúrgico em crianças com doenças cardíacas?
- Disfunção ventricular
- Hipertensão pulmonar
- Arritmias
- Cirurgias cardíacas prévias
- Uso de drogas vasoativas
- Necessidade de ECMO ou suporte ventilatório
Qual médico cardiopediatra consultar em Belo Horizonte
Dra. Marina Fantini é altamente qualificada e carrega consigo um amplo conhecimento nas áreas de pediatria e cardiologia.
É coordenadora da Cardiologia Pediátrica e ECMO na Rede Mater Dei, CEO da Ecmo Minas, professora do curso de medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da pós-graduação no Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte.
É também membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Especialista em ECMO pela ELSO.
Agende abaixo a sua consulta: